Sem mudanças nas condições apresentadas ontem, os Correios dificilmente conseguirão que um grande banco assuma o lugar do Banco do Brasil no...
Sem mudanças nas condições apresentadas ontem, os Correios dificilmente conseguirão que um grande banco assuma o lugar do Banco do Brasil no Banco Postal, que oferece serviços financeiros nos postos da empresa. Segundo executivos de bancos públicos e privados ouvidos pelo Valor, o preço exigido pelo Correios reduz o interesse no ativo, em especial em um momento de bancarização estagnada. Outras condições impostas pelos Correios também dificultam a participação de bancos médios na disputa.
Os Correios anunciaram ontem uma nova licitação para o Banco Postal, depois de o acordo com o Banco do Brasil não ser renovado, conforme antecipou reportagem do Valor. Os interessados têm até o dia 11 de novembro para enviar as propostas.
"Não é um canal desprezível, mas o apetite, da maneira como o edital está desenhado, não é grande", diz um executivo de um grande banco. "É preciso construir um outro modelo para esse balcão."
Sob novas condições, bancos privados, e até mesmo o Banco do Brasil, poderiam voltar à analisar o ativo, afirmam fontes.
O preço da operação é o principal fator a desanimar os potenciais interessados. Em troca do direito de explorar a rede dos Correios por dez anos, o interessado terá de pagar um valor de entrada no negócio de pelo menos R$ 1,2 bilhão, em duas parcelas de R$ 600 milhões, sendo a primeira paga agora e a segunda após cinco anos do início de vigência do contrato.
O custo, porém, não para por aí. O banco terá de pagar tarifas aos Correios por cada transação feita no Banco Postal, além de um bônus de produtividade para as agências que baterem metas. O edital estipula que, em valor presente, a receita dessas tarifas e dos bônus para os Correios têm que ser maior que R$ 3,7 bilhões.
É justamente sobre o valor das tarifas a serem pagas aos Correios que os bancos estão debruçados agora em busca de uma conta que viabilize a operação. Um executivo, porém, acha difícil que isso ocorra sem mudanças no edital.
A migração cada vez maior de clientes para canais digitais também diminuiu a necessidade de postos de atendimento físicos, lembra uma fonte. Além disso, os clientes trazidos pelo Banco Postal, basicamente das classes "D" e "E", são difíceis de rentabilizar em um cenário de baixo crescimento econômico, afirma.
O edital ainda impõe outras restrições de participação na disputa pelo Postal. Só instituições financeiras com pelo menos R$ 17 bilhões de ativos e R$ 780 milhões de patrimônio líquido podem entrar na disputa. Há apenas 15 bancos com operações de varejo que satisfazem tais requisitos - já excluindo Citi e HSBC da conta. Além dos cinco grandes, a lista inclui os estatais Banrisul, Banco do Nordeste, Banestes, os cooperativos Bancoob e Bansicredi, e Banco Votorantim, Safra, BNP Paribas, Banco Pan e Daycoval.
A apatia dos bancos hoje contrasta com a acirrada disputa que houve pelo Banco Postal em 2011. Em um leilão de mais de cinco horas de duração, o Banco do Brasil surpreendeu e tirou o Postal das mãos do Bradesco, que o operava até então. O lance dado pelo BB foi de R$ 2,3 bilhões, ante R$ 2,25 bilhões do Bradesco.
O grande problema, que levou à nova licitação, é que, caso o BB quisesse prorrogar o contrato por mais cinco anos, teria de pagar o mesmo que pagou em 2011 (além dos R$ 2,3 bilhões, houve o pagamento de outros R$ 500 milhões adicionais) corrigido pela taxa Selic do período. Ou seja, algo equivalente a cerca de R$ 4,7 bilhões, mais as tarifas que os Correios recebem pelos serviços financeiros feitos no Postal.
Entre os grandes bancos, além do próprio BB, há uma série de fatores que reduzem o interesse no Postal. O Bradesco, por exemplo, abriu cerca de mil novas agências após perder o canal, além de montar uma vasta rede de correspondentes. A Caixa Econômica Federal já conta com as lotéricas. Já Itaú Unibanco e Santander teriam pouco interesse em aumentar sua rede física de atendimento. (Colaborou Talita Moreira)
Fonte: Valor Econômico
Os Correios anunciaram ontem uma nova licitação para o Banco Postal, depois de o acordo com o Banco do Brasil não ser renovado, conforme antecipou reportagem do Valor. Os interessados têm até o dia 11 de novembro para enviar as propostas.
"Não é um canal desprezível, mas o apetite, da maneira como o edital está desenhado, não é grande", diz um executivo de um grande banco. "É preciso construir um outro modelo para esse balcão."
Sob novas condições, bancos privados, e até mesmo o Banco do Brasil, poderiam voltar à analisar o ativo, afirmam fontes.
O preço da operação é o principal fator a desanimar os potenciais interessados. Em troca do direito de explorar a rede dos Correios por dez anos, o interessado terá de pagar um valor de entrada no negócio de pelo menos R$ 1,2 bilhão, em duas parcelas de R$ 600 milhões, sendo a primeira paga agora e a segunda após cinco anos do início de vigência do contrato.
O custo, porém, não para por aí. O banco terá de pagar tarifas aos Correios por cada transação feita no Banco Postal, além de um bônus de produtividade para as agências que baterem metas. O edital estipula que, em valor presente, a receita dessas tarifas e dos bônus para os Correios têm que ser maior que R$ 3,7 bilhões.
É justamente sobre o valor das tarifas a serem pagas aos Correios que os bancos estão debruçados agora em busca de uma conta que viabilize a operação. Um executivo, porém, acha difícil que isso ocorra sem mudanças no edital.
A migração cada vez maior de clientes para canais digitais também diminuiu a necessidade de postos de atendimento físicos, lembra uma fonte. Além disso, os clientes trazidos pelo Banco Postal, basicamente das classes "D" e "E", são difíceis de rentabilizar em um cenário de baixo crescimento econômico, afirma.
O edital ainda impõe outras restrições de participação na disputa pelo Postal. Só instituições financeiras com pelo menos R$ 17 bilhões de ativos e R$ 780 milhões de patrimônio líquido podem entrar na disputa. Há apenas 15 bancos com operações de varejo que satisfazem tais requisitos - já excluindo Citi e HSBC da conta. Além dos cinco grandes, a lista inclui os estatais Banrisul, Banco do Nordeste, Banestes, os cooperativos Bancoob e Bansicredi, e Banco Votorantim, Safra, BNP Paribas, Banco Pan e Daycoval.
A apatia dos bancos hoje contrasta com a acirrada disputa que houve pelo Banco Postal em 2011. Em um leilão de mais de cinco horas de duração, o Banco do Brasil surpreendeu e tirou o Postal das mãos do Bradesco, que o operava até então. O lance dado pelo BB foi de R$ 2,3 bilhões, ante R$ 2,25 bilhões do Bradesco.
O grande problema, que levou à nova licitação, é que, caso o BB quisesse prorrogar o contrato por mais cinco anos, teria de pagar o mesmo que pagou em 2011 (além dos R$ 2,3 bilhões, houve o pagamento de outros R$ 500 milhões adicionais) corrigido pela taxa Selic do período. Ou seja, algo equivalente a cerca de R$ 4,7 bilhões, mais as tarifas que os Correios recebem pelos serviços financeiros feitos no Postal.
Entre os grandes bancos, além do próprio BB, há uma série de fatores que reduzem o interesse no Postal. O Bradesco, por exemplo, abriu cerca de mil novas agências após perder o canal, além de montar uma vasta rede de correspondentes. A Caixa Econômica Federal já conta com as lotéricas. Já Itaú Unibanco e Santander teriam pouco interesse em aumentar sua rede física de atendimento. (Colaborou Talita Moreira)
Fonte: Valor Econômico

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